Dia 19 de maio de 2008, fui num asilo na Itália e trabalhei com aproximadamente uns trinta velhinhos. Muitos com doenças como câncer, alzeymer, outros caducos mesmo. E olha que na Itália pra um idoso estar num asilo é porque está muiiito muito velho ou doente mesmo!
Este dia foi um dos mais gratificantes da minha vida porque estávamos numa equipe e pude cantar para eles em italiano, senti uma paz pairando sobre o local através das nossas vidas. Senti uma amor profundo por eles. Tirei fotos e cada olhar, cada sorriso transpassava mais fundo que as lentes de uma nikon D70, transpassava minha alma.
Depois entregamos balões para cada um deles, e eu tive o atrevimento de ir nos quartos do que estavam doente, atrás da Iris, Giovanna e Érica.
Achei a Érica em um dos quartos conversando com uma senhora, creio que em fase terminal. Cheguei para conversar em italiano e, não posso mentir, fiquei muito chocada. Enorme a vontade de chorar ao ver uma senhora, cheia de história, definhando na cama ao lado, cheia de tubos e os olhos me contemplando e as lágrimas a beira do precipício dos olhos a ponto de se jogarem pelo rosto.
Fiquei emocionada.
Voltei para o salão aonde se reuniam mais de 25 cadeiras de rodas, idosos e nossa equipe e tive que conter o choro. Fiz uma foto de cada rosto com o seu balão, revelamos e voltamos lá para entregar.
Não sei mais como continuar a história porque só posso dizer que estas cenas mudaram a minha vida.
Tem certas coisas que a gente vive que não tem preço. Uma delas é poder fazer a diferença na vida de alguém.










